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Assim como temos em nosso calendário, datas específicas para comemorarmos eventos importantes, como o natal, ano novo, mães, pais, crianças, etc., assim também, vivenciamos o tempo da ‘QUARESMA”. Sendo esta última, um período do ano litúrgico que antecede as comemorações da Páscoa Cristã, referente a ressurreição de Jesus, festa proclamada por algumas igrejas.
Valendo salientar que, a Páscoa já era comemorada pelos Judeus, em comemoração a libertação da escravidão no Egito, bem antes do cristianismo
No período da quaresma, assim como em cada data comemorativa, o objetivo é nos levar à reflexão sobre o assunto em questão, embora na prática isso não aconteça como de fato deveria.
Aqui no Brasil, o carnaval, festa profana anual, cuja data acompanha o calendário litúrgico- que por sua vez, segue alguns ciclos naturais, precede o período quaresmal, daí não possuir uma data fixa.
Muitos de nós, vivemos o tempo da quaresma, praticando algum tipo de penitência, muito mais ligados e preocupados em redimir os exageros praticados durante o ano, ou mesmo nos festejos do carnaval.
Logicamente, que toda reflexão nos remete à um crescimento, mas melhor que isso, é saber corretamente o motivo que te leva a tal.
Quando criança, a quaresma sempre representou um período de castigos, pois minha mãe não perdia oportunidade de nos repreender em nome de “ Jesus Crucificado”, as vezes até nos obrigando à algum jejum mais leve.
O mais interessante de tudo, era a sua culminância com a “Semana Santa”. Naqueles dias, os cuidados eram redobrados, tanto por nós, como pela minha genitora, pois durante essa semana, ela não apenas jejuava, mas não lavava roupas, a higiene da casa era feita só por cima, tirando o grosso da sujeira e nem pegava no chinelo para nos mostrar “Com quantos paus se faz uma canoa”, era preciso conter nossos ímpetos infantis. Nossa festa já começa dali...
Na Sexta-feira Santa, ela preparava um bacalhau de dar água na boca. Os bolinhos então... 
O mais esperado por mim e meus irmãos, eram sempre os "Ovos de Páscoa", embora pequeninos - numa mordida só, se findavam, na verdade eles encerravam mais uma etapa da nossa vida, cujo recomeço, já iniciava naquele momento.

Na verdade, o que nos importa hoje, é que saibamos aproveitar mais essa chance do calendário litúrgico, e estejamos preparados espiritualmente, para a grande festa da Páscoa em nossa vida, ou seja, um recomeço de tudo o que esteja estagnado ou acontecendo de forma contrária aos nossos valores.
Facilitando o pensar de cada um, todos os anos, desde 1964, a Igreja trabalha no período quaresmal, com um projeto denominado, Campanha da Fraternidade. A cada ano, é lançado um tema a ser trabalhado por todas as comunidades.
Os encontros nas comunidades, tem como objetivos, a reflexão coletiva sobre um mesmo assunto, bem como o compromisso concreto de cada um, transformando o pensamento em ação fraternal.
O tema desse ano de 2017 é: ”Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, e o lema: “Cultivar e guardar a criação”.
Nesse mundo de desigualdades, temos muito o que refletir, mas que tal começarmos pelo nosso pedaço de chão?
Vanda Jacinto
Enviado por Vanda Jacinto em 05/03/2017
Alterado em 09/03/2017


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Imagem de cabeçalho: raneko/flickr