TEMPO, TEMPO, TEMPO...
Mais um dia sob a abóbada divina e cá estou, a correr contra o tempo, na ânsia de fazer tudo ou quase tudo, conforme o planejado ontem.
Já sei, admirou-se com a minha correria mesmo sabendo que não mais assino o ponto. Mas, é isso mesmo! Exatamente por isso, devo ficar mais um dia aqui em Natal. Mas, independente de estar ou não aposentada, equaciono diariamente o meu tempo em detrimento das minhas atividades, sim, afinal, a vida segue e não posso estagnar, embora sem a obrigação do cumprimento de horários, procuro seguir uma rotina.
Nossa! Relendo o que acabei de escrever, percebo que em apenas dois parágrafos a palavra “tempo” está a se intrometer na conversa. Poderia até trocá-la por um sinônimo, mas não vou me preocupar com isso. Deixe estar.
Cá para nós, o tempo é só mais um conceito relativo criado pelo homem e para o homem. Você já tentou medi-lo ao despertar de um longo período de sonho onde você percorreu grandes distâncias? E ao acordar percebe que o tempo passado foi ínfimo? Pois é... impossível, né? Pura ilusão.
Sinceramente, não consigo imaginar o que se passava na cabeça de quem inventou o tempo cronometrado. Só sei que foram os babilônios e, por sinal, criaram até um relógio solar para medi-lo. Talvez já enfrentassem problemas com a condução e o cumprimento de suas obrigações, daí fracionaram o bendito tempo para melhor se situarem.
O que sei, é que esse desagradável tempo vive a mensurar os meus passos – tenho relógios em todos os cômodos do meu minúsculo apartamento. Tudo o que faço é mediante o aferimento dos ponteiros, vivo esbarrando no tic-tac das horas!
Já me desgastei matutando um jeito de me desvencilhar desse controlador de vidas; contudo, até agora não consegui. E ainda me questiono se isso é possível.
Creio que não. A essa altura do campeonato, mudar algo convencionado a milênios não seria nada racional. Como dizia Rubem Alves – e faço das palavras dele as minhas: “Tenho muito mais passado do que futuro”. Assim, não há por que mudá-lo. O negócio é passar a não contá-lo. Apenas vivê-lo intensamente! Sim. E conviver sabiamente com ele. Preciso, urgentemente, levar esses pensamentos para o meu dia a dia.
Porém, voltando ao assunto primeiro, percebi logo nos primeiros meses de aposentada – não sem grandes sofrimentos –, que ficar em casa, até que poderia ser bom! E, assim sendo, fui colocando coisas em seus lugares, arrumado armários e gavetas, percebendo muitas roupas sem uso – algumas ainda com etiqueta –, descobrindo, na internet, novas receitas culinárias, às vezes fazia crochê e escrevia. No entanto, ainda assim me sobrava “dia” que não era brincadeira!
Mas, numa bela manhã, resolvi mexer nos livros. Comecei organizando-os, e observei uma porção deles ainda intactos, mal folheados, só não apurei o cheiro, porque estavam um pouco empoeirados; todavia, fui me deliciando… Ah, meu amigo, agora, falta-me “dia”. Nas horas de folga, quando não estou lendo, estou produzindo os meus rascunhos, sem contar que, de lá para cá, venho desenvolvendo um projeto que denominei de “Poetizando o nosso dia”. O projeto consiste em leituras de poemas, de autores variados, nacionais, locais e estrangeiros.
Essa atividade despende certo tempo – olha o tempo de novo aí –, pois tenho me valido de pesquisas na internet. Possuo alguns livros; entretanto, não o suficiente para suprir a diversidade e a demanda semanal. Uma busca constante se faz necessária.
O que a princípio era apenas um passatempo, agora, com mais responsabilidades, passou a ser uma tarefa, com postagens de vídeos nas redes sociais das quais faço parte. Já criei até um canal no YouTube. Se ainda não me visitou, fique à vontade!
O curioso é que sempre gostei de poesia, mas desconhecia muitos dos autores que leio hoje. Se neste momento me perguntassem qual o poeta da minha predileção, não saberia dizer, pois fui descobrindo em cada um deles algo de que eu gosto e que se parece comigo. Uma coisa é certa: essas leituras, além de me proporcionarem uma alegria infinda, têm me rendido um aprendizado muito bom!
Retomando as atividades do novo ano, preciso fazer novos vídeos...
O retorno dessa atividade é sempre muito gratificante! O tempo que a ela dispenso é nada se comparado à satisfação de levar a poesia semanalmente para as pessoas!
Falando em tempo, ele parece voar enquanto escrevo. Já é hora de uma parada para o cafezinho da tarde. Você teria um tempinho para me acompanhar?