Textos


Em busca de nós mesmos

 

 

Desde a mais tenra idade, independente do nosso “livre-arbítrio”, aprendemos a respeitar a opinião coletiva – seja ela na família ou na sociedade, de um modo geral –, o que contraria a ideia primeira de liberdade pessoal. Quantas vezes deixamos de ser nós mesmos em detrimento dessa dita opinião. Perceber o mundo, bem como viver sua organização através do olhar coletivo, pode não ser a melhor opção se levada ao pé da letra.

Penso que somos frutos de uma realidade construída por um todo, mas nem sei se, nesse todo, há algo do meu pensamento intrínseco. Às vezes, me questiono se concordo com algo exposto porque também penso em uníssono, ou se estou sendo influenciada.

Vivemos sob uma pressão social tão forte, em que nos ditam as normas, as regras e – por que não dizer – os nossos passos que chego a questionar onde, nesse contexto, o nosso livre-arbítrio tem espaço atuante.

Não bastassem os valores que nos são repassados através da cultura, preservados ao longo dos tempos; hoje, somos bombardeados também pela cultura tecnológica – modernidade que, por vezes, assusta, mas me coloca em sintonia com o mundo. O domínio humano, antes limitado, agora, com a abrangência das comunicações, é sem parâmetros.

Assuntos dos mais variados ganham espaço na telinha dos celulares que estão sempre à mão. As compras on-line crescem dia a dia. As novidades são despejadas em nossa mente.

A ida à profissionais de saúde tem sido uma constante, pois as informações sobre os suplementos alimentares a serem adotados são verdadeiras febres, que nos deixam inseguros em relação à própria saúde. As dietas, então, uma mais milagrosa do que a outra: a intermitente, a do ovo, a de líquidos, e por aí vão...

A inconstância dos modismos nos deixa loucos! Um corte novo de cabelo para o inverno, outro para o verão. Com as roupas, não é diferente. E olhe que, morando num local onde o clima é um só, sempre quente, mesmo nos períodos denominados de inverno, observa-se pessoas seguindo esses modismos. É impressionante como nos deixamos levar pela opinião alheia.

Precisamos urgentemente ressignificar o nosso atual modus vivendi. Até respeitar a opinião alheia para melhor conviver em grupo, tudo bem, mas não ficar sempre à mercê da situação.

Afinal, somos seres únicos. Não há como passar a régua sobre nossas mentes. Todo cuidado é pouco para que não nos anulemos para seguir as ideias e ideais alheios!

Envoltos nesse mar de ideias, se não nos cuidarmos, seremos carregados para o alto-mar, num caminho sem volta.

Destarte, devemos utilizar o nosso livre-arbítrio para navegar seguramente nesse sistema inovador. Lembrando que a cultura, até então preservada, se expande e se funde à cultura global. Acompanhar ou não essas mudanças vai depender do nosso equilíbrio.

Buscar o foco e preservar o “eu interior” são as premissas do momento.

Por mais que estejamos vivendo em sociedade, compactuando com regras, leis e posturas, sejamos fiéis a nós, nossos princípios e ideais. Não preciso ser como o outro, preciso respeitá-lo.

Do mesmo modo que buscamos Deus, por vários caminhos, aprendamos também a utilizar o livre-arbítrio com sabedoria, pondo em prática os objetivos pelos quais estamos aqui nesse plano.

Só assim nos encontraremos a nós mesmos!

Vanda Jacinto
Enviado por Vanda Jacinto em 22/03/2025


Comentários


Imagem de cabeçalho: raneko/flickr