Textos


Entendendo a Criatividade

 

 

“A arquitetura não constitui uma simples questão de engenharia, mas uma manifestação do espírito, da imaginação e da poesia.”

(Oscar Niemeyer)

 

Buscando entender a origem da criatividade artística, desenvolvida por algumas pessoas – não importando a área de atuação –, cheguei na Criação Divina.

Não é em vão que a Bíblia Sagrada afirma que somos “a imagem e perfeição de Deus”! O Homem é, sem sombra de dúvida, uma das mais perfeitas obras da Sua Criação! Quem sabe, a mais complexa também, pois está em constante aperfeiçoamento.

Dentre tantas características que o definem, uma delas é a sua composição dual: a matéria, denominada de energia de espírito; e o corpo psíquico, denominado de energia vital. Essa última sempre foi e será motivo para reflexão, devido ao mistério que a envolve. A ciência a reconhece como “energia da personalidade”; os místicos, a compreendem como a “Centelha Divina” presente em nosso âmago.

Fato é que a junção dessas energias resulta na “personalidade – alma”, cujas características são únicas, em cada “Ser”, haja vista o seu teor resultar do uso do livre-arbítrio de cada um.

Seria essa a justificativa mais plausível para as diferenças humanas, embora filhos de um mesmo Deus?

Em parte, acredito que sim, pois, considerando que somos uma dualidade na composição geral, e para que ambas se façam, nada mais coerente do que alimentarmos igualmente as partes envolvidas, para que haja um perfeito equilíbrio. No entanto, a medida da necessidade de cada um é diferente, daí surgirem tantas diferenças.

Voltando ao assunto. O homem é dotado de uma mente pensante e pulsante, e utiliza as habilidades que lhe são conferidas – os dons – para externar os sentimentos mais refinados do seu ser, seja através da música, escrita, pintura, teatro, arquitetura, jardinagem; enfim, tudo o que se refere à arte e, por que não dizer, à vida.

Na minha opinião, a arte é um dos muitos caminhos utilizados pelo homem na expressão dos seus sentimentos.

As palavras de Oscar Niemeyer, citada no cabeçalho, ilustra bem esse pensamento. Considero impossível dissociar o nosso “eu” interior das nossas ações.

Com certeza não foi diferente com ele, quando arquitetou o Palácio do Congresso Nacional. Nele, colocou não apenas as suas ideias geométricas, e esteticamente organizadas, mas os seus ideais humanos circulando em seus espaços. Assim como também estão inclusos, no projeto, os ideais e sentimentos de Juscelino Kubitschek – à época, Presidente do Brasil. Aliás, os primeiros sonhos a serem pensados, pois foi a partir deles que tudo foi criado.

O sonho de ter a capital do país centralizada, para facilitar a expansão e ocupação do mesmo, tornou-se real, geograficamente.

A beleza arquitetônica também atingiu os objetivos do seu criador, pois até os dias atuais é considerada uma obra arquitetônica moderna; inclusive, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). No entanto, em relação a atuação humana, o muito que já se fez em prol do país é pouco, comparado ao que se objetiva para que haja equilíbrio nas ações.

Interessante se faz frisar que o olhar do autor, sobre a própria obra, nem sempre condiz com o olhar de outrem, pois cada qual faz a sua leitura de acordo com a própria base de conhecimentos.

Mas uma coisa é certa: a beleza imponente do Palácio Nereu Ramos – Palácio do Congresso Nacional, através das suas cúpulas, adverte-nos para estarmos sempre atentos para os novos ideais e anseios do nosso povo, ao mesmo tempo que nos leva a refletir e ponderar as nossas ações, para que o trem não saia dos trilhos!

Vanda Jacinto
Enviado por Vanda Jacinto em 13/04/2026


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Imagem de cabeçalho: raneko/flickr